Outra psicologia se faz favor!
“Vou ser muito sincero…” é um expressão que se banalizou. Substituiu, como se fosse uma versão suave, a afirmação “sou muito directo”, usada com alguma vaidade por aqueles que têm dificuldade em distinguir uma verdade transmitida com afecto com exercícios de crueldade. Sendo que estas pessoas, “muito directas”, usam as suas verdades acerca de nós duma forma intimidatória, sem reciprocidade, sem culpabilidade e sem remorsos. E, sobretudo, de forma a inibirem-nos de qualquer contraditório que as ponha em causa (que, aliás, elas, muito ciosas de serem “muito bem resolvidas”, não toleram).
Convenhamos que entre o “vou-te dizer umas verdades” e o “vou ser muito sincero” há um pequeno degrau que os separa na forma mais ou menos rude com que se lida com a verdade. Mas sempre sem nos deixar espaço para perguntar àqueles que se propõem “ser muito sinceros” onde estaria a sua relação com a verdade quando, antes deste assomo de “sinceridade”, foram falando connosco.
O mais grave é que talvez mesmo aqueles que não se propõem apelar a uma sinceridade mais momentânea não falem tantas vezes tão verdade como deviam. Acerca do que pensam. Sobre aquilo que sentem. Ou a propósito dos juízos que constroem sobre os outros. E, chegados aqui, seria de perguntar o que nos foi levando, ontem como hoje, a afastar da verdade. Se bem que vivamos num momento em que o discurso das pessoas parece cada vez mais ancorado em jargões de agências de comunicação ou da inteligência artificial, em que se recorre a termos trazidos da psicologia que, a........
