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Ninguém está preparado para ser mãe /premium

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30.06.2019

Ninguém está preparado para ser mãe. Pode-se ter tido irmãos mais novos, sobrinhos ou afilhados; pode-se gostar muito de crianças e ter-se com elas uma relação arejada e divertida; pode-se querer muito um filho e planeá-lo com critério e com tempo; mas nunca se está preparada para ser mãe!

É por isso que não entendo por que motivo é que se fala do amor de mãe como se fosse uma porção de instinto maternal cruzado com uma pitada de sexto sentido e, a partir daí, se tornasse fácil a qualquer mulher, de qualquer idade e a qualquer momento, ser mãe. Boa mãe! Num atmosfera – tão do género: “não tem que saber” – que não tem nada de verdade!

Quem permite que uma mulher assuma, sem censura, que não está preparada para ser mãe? Quase ninguém. Quem lhe dá espaço para que reconheça a sua própria história de vida, como filha, como uma “força de bloqueio” que a leve a ter medo de ser mãe, pelo simples facto de a assustar a perspectiva de repetir os erros da sua mãe que, entretanto, não foram resolvidos, “digeridos” ou aceites? Quase ninguém. Quem deixa que uma mulher traga para a gravidez toda a sua história ginecológica anterior, nomeadamente (por exemplo) os insucessos que tornaram muito difícil engravidar e as circunstâncias – absurdamente dolorosas – em que passou por uma interrupção da gravidez, onde muito poucos a pouparam a ter de partilhar uma sala de espera ou uma sala de partos com grávidas e com bebés? Quase ninguém! E quem a protege dos presságios de algumas amigas (?) que, ao mesmo tempo que a felicitam, lhe repetem (como se fosse um destino a que não se foge): “quando fores mãe é que vais ver!…”? Quase ninguém. E quem lhe diz que um bebé tem tanto de mágico como de muito difícil e que, ao mesmo tempo em que é sagrado tê-lo a........

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