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Mal educados são os outros /premium

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15.07.2019

Estamos todos habituados a um discurso, invariavelmente, alarmista sobre a má educação dos adolescentes. Sobre as maneiras que não têm. A forma como, supostamente, não respeitam ninguém. Ou os maus modos com que se dirigem aos pais, às pessoas mais velhas ou aos professores. É claro que, depois, quando estamos numa rotunda e só queremos virar à esquerda, há sempre uma pessoa que, indo numa fila que vira para a direita, não nos deixa passar; “só porque sim”. E quando nós olhamos, para pedirmos que nos ajude, esperando ver um adolescente sem maneiras, damos com um adulto a olhar para o lado, de forma cobarde, como se aquilo tivesse acontecido por acaso. Ainda a imaginar que tudo terá acontecido num dia mau para quem reagiu assim para nós, entramos num sítio público e, quando seguramos a porta para que alguém passe, a regra parece ser passarem, sim, sem sequer agradecerem, sorrirem ou trocarem um olhar breve ou afável. Como se a boa educação fosse uma espécie de fato de cerimónia incompatível com um estar mais casual, por exemplo. Acontece que não estamos a falar de adolescentes. Mas de pessoas que, muitas vezes, têm idade para ser pais deles. A má educação tornou-se tão banal que, de repente, damos por nós a responder da mesma forma. Como se ela representasse uma forma cerimoniosa de estarmos uns com os outros e não um modo de “fazer o bem”, mais vezes.

A mim inquieta-me que se cultive, em “português suave”, a ideia de que a boa educação representará um tique “de direita”. Ou que é, manifestamente, característica das pessoas da província, como se, em relação à boa educação, para cima da Vialonga, nos faltasse a todos alguma educação. É claro que, depois, assiste-se a alguns debates na Casa da Democracia e, de repente, desde a forma como, por vezes, se........

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