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Guarda conjunta em residência alternada /premium

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19.05.2019

Todos os divórcios se dão por “mútuo consentimento”. E, por mais que sejam “amigáveis”, são (pelo menos, um bocadinho) litigiosos. Por isso mesmo, não há divórcios fáceis. E mesmo que o processo que os formaliza seja, hoje, mais simples, abrir, gerir e fechar um processo de divórcio é duríssimo. Repartir o património leva, muitas vezes, a que quem pretende fechar mais depressa um processo de divórcio, ou quem o desbloqueia ou, ainda, quem se sente mais culpabilizado por ele “pague” uma factura muito maior do quem se sente ou se coloca no lugar da vítima, e que isso tenha custos na relação futura dos pais e no seu exército parental. E repartir o melhor que ficou duma relação — um filho — com quem se tornou o pior que ela possa ter trazido a ambos os pais arrisca-se a ser quase acrobático.

Por outro lado, um divórcio aprofunda, muitas vezes, a sensação de se ser de injustiçado: quer quando, por exemplo, uma mãe chamou a si as “despesas parentais” dos primeiros anos de vida (cuidando, amamentando, adormecendo, sossegando ou acalentando) e, num repente, sente que um pai reclama uma paridade de direitos quando nunca terá exigido, até aí, uma divisão de responsabilidades; quer quando um pai é chamado a dividir responsabilidades e se sente, unicamente, com “o direito de visita” (será um direito?), ou quando é discriminado em relação ao exercício da sua parentalidade por identidade de género (como, ainda, muitos tribunais discriminam o pai). E cava as diferenças que separam os pais nos cuidados que dispensam aos filhos que, em inúmeros momentos, fazem com que os ritmos, as rotinas e as regras em casa da mãe e em casa do pai sejam, para um filho, dois mundos com muito pouco de idêntico e sem denominadores comuns de bom senso. E, porque a vida dos filhos não pode parar, tudo isto se dá em “exercício de funções” parentais. Sem regimes transitórios. Com alguns destes pais a colocarem os filhos em conflitos de lealdade e, destes, alguns mais a não terem o bom senso de ponderar acerca da indelicadeza de comentários que fazem em relação ao outro dos pais, em presença dos filhos, que,........

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