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Gostava que houvesse mais professores mais velhos /premium

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18.08.2019

Não é justo – até porque não é verdade – que se assuma que se cresce cada vez mais cedo e mais depressa. Todos precisamos de (muito!) tempo para crescer. E todos precisamos de errar muitas vezes para crescer. Aliás, quando alimentamos a convicção de estarmos a errar cada vez menos, talvez isso não queira dizer que nos tornámos mais sábios. Mas, antes, que estaremos a desperdiçar, por arrogância ou por medo, oportunidades indispensáveis para crescer.

Todavia, não foi pelo tempo que precisou de ter nem pelos erros que acumulou que o mundo deixou de “pular” e não avançou. É claro que vivemos tão enfeitiçados pelos deslumbramentos da técnica que, hoje, todos parecemos ser convertidos, muito rapidamente, à condição de produtos descartáveis. E acanhamo-nos tanto diante das coisas “descontinuadas” e do furor das novas tecnologias que a sabedoria dos mais velhos ganha, implicitamente, um estatuto próximo do de um museu, susceptível (quando muito) de ser admirada, mas cuja utilidade, considerando aquilo que se supõe que é indispensável aprender, hoje, para crescer, acaba por não ser motivo da maior consideração.

É por isso que quando se fala que a idade média dos professores portugueses não pára de aumentar eu fico preocupado. Não tanto pelos mesmos motivos de que se falou dela. Mas porque, mesmo que não seja claro e explícito, fica, muitas vezes,........

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