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Deixem a adolescência em paz! /premium

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16.06.2019

A adolescência não é fácil! Não é fácil ter um corpo aos safanões, no modo (às vezes, “desengonçado”) como se cresce. E, da mesma forma como é acolhedor, logo depois, que se “desmancha”, se insubordina e, até, magoa. E se torna feio diante de tudo aquilo que nele não se deseja. Não é fácil ter a cabeça aos solavancos e o mundo tão depressa parecer claro e “arrumado” como, logo a seguir, passivo, apático ou desleixado. Não é fácil a sexualidade, que faz da cabeça um corrupio e um tumulto, e traz um terramoto de reacções que parecem levar a que se erotize tudo e mais alguma coisa. E faz com que se tema que a vida se transforme num furor, incontrolável, de instintos e de impulsos.

Não são fáceis as pessoas. Porque — muito depressa! ~- tratam um adolescente com complacência como, logo a seguir, se abespinham com os seus apartes e com a sua irritante timidez. Não são fáceis as palavras, que ora saem em jacto, cheias de “picos” — e agrestes! — ora se resumem a monossílabos, a murmúrios e a “grunhidos”. Não são fáceis os esgares, o revirar dos olhos, a cara que estala, de tanto se corar, e os enxofranços, por tudo e por nada, mesmo que não se queira. Não é fácil a escola, que exige muito mais do que tudo aquilo que ela dá. Não é fácil — sobretudo quando o presente se impõe, espartilha e desarruma — que o futuro não seja, senão, longe demais. Não são fáceis os grupos, que mimam, misturam, ligam e integram como, a seguir, são parciais, e se tornem volúveis e excluem. Não é fácil a moda, que tão depressa democratiza como, logo depois, segrega, pela forma como impõe marcas e modelos e é........

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