Epicteto, literacia financeira e o problema do paternalismo |
Se queremos um Portugal mais próspero, é necessário questionar os dogmas ideológicos e os interesses partidários que perpetuam o atraso estrutural do país. Só através do conhecimento e da verdadeira liberdade individual será possível romper com esse ciclo.
Portugal é um dos países da UE com menor literacia financeira.
No mundo clássico, acreditava-se que só quem tinha conhecimento, razão e domínio de si próprio poderia ser verdadeiramente livre. “Só os cultos são livres” era esta uma das premissas basilares que Epicteto, um filósofo estoico grego que terá vivido entre os séculos I-II d.C., defendia.
Ora, se a ignorância impera num país pouco consciente e mal informado, a falta de conhecimento financeiro limita a liberdade de escolha das pessoas. Grande parte da população portuguesa vive exclusivamente de uma fonte de rendimento: o seu salário, o que gera várias adversidades, pois uma sociedade desinformada não tem meios para se desenvolver.
Em Portugal, para além do constante apelo ao consumo, a estagnação da economia e a sobredimensão do aparelho estatal fazem com que não exista apoio à poupança, ao investimento e que se olhe com ceticismo para a iniciativa privada. Surge aqui o verdadeiro problema: a desinformação gera vulnerabilidade e esta conduz à dependência. Quando a autonomia individual é enfraquecida, o indivíduo deixa de ser verdadeiramente livre e passa a depender do Estado.
Nesta ótica, consolidou-se em Portugal a ideia de que “o Estado deve-me algo”, uma mentalidade com raízes profundas, quase comparável a uma doença crónica. A atual conjuntura económica tende a perpetuá-la, pois o agravamento da........