Uma nova humanidade precisa-se |
A humanidade é feita de ciclos – ouve-se por aí – mas nem essa ideia parece acalmar a inquietação que nos assola quando atentamos o mundo (e o país) que nos rodeia. O contexto, na minha opinião, emerge como fracionado, quiçá decadente, em colapso.
Há, na minha perspetiva, quatro traços que caracterizam o cenário em que vivemos: a incapacidade de resposta e organização por parte do poder e dos intelectuais; o atentado aos diretos humanos e, paradoxalmente, o seu uso como escudo; a incoerência como palco social; e a transformação profunda do paradigma comunicacional.
Começando pelo primeiro traço, observamos uma política que sofre com a liquidez do mundo. Dantes a sua classe era composta por intelectuais, ou por eles se rodeava. Havia tempo, análise, escuta, e leitura crítica da sociedade. Hoje parece não haver tempo, o que não se deve apenas ao imediatismo da tecnologia, mas a um indivíduo moderno que já não aceita a espera, habituado a um mundo em que tudo se alcança em segundos. Cria-se, assim, uma política performativa, onde a imagem precede o pensamento, e o discurso se formata para o consumo, e não para a reflexão.
Os partidos tradicionais, incapazes de se adaptar à nova gramática digital, continuam a falar para um mundo que já não existe, comunicando como sempre comunicaram, ignorando que a sociedade se fragmentou. A extrema-direita, por sua vez, compreendeu esta mudança. Rejeita as instituições na forma, mas não no desejo. Anseia fazer parte do sistema que critica. É uma........