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Os jornais

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friday

Sempre que folheio um jornal, primeiro cheiro-o. Talvez seja o perfume mais antigo da minha vida. Com o meu avô paterno, desde os sete anos, mesmo antes de estar ciente de que era filha de dois jornalistas, escolhíamos jornais, como o meu avô dizia, aos domingos, uma vez por mês.

“Escolher jornais” significava desfazer a pilha que ele ia fazendo ao longo das semanas, em cima da mesa da sala, de edições do Expresso e do Notícias e um ou outro desportivo, jornais e outros papéis, folhas dispersas com cálculos de álgebra, páginas de um diário frio, listas de compras, notas e comentários às notícias, papelinhos, facturas: e então cabia-me conferir as datas e separar o que tivesse menos de duas semanas para guardar e deitar o resto para o lixo.

Esse gesto do meu avô, a conferir a data dos jornais, a baixar os óculos para ler a data, como eu agora baixo os meus, de robe sobre o pijama, às primeiras horas da manhã, antes de se ausentar “para fazer a toilette”, a sala a cheirar a jornal, a mistura do cheiro do papel com o cheiro do café e das torradas e dos........

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