No café

Viajei, mudei de casa sete vezes, emigrei, regressei. Na semana passada, voltei ao café, na avenida em Lisboa onde vivi há doze anos. Lá estava o mesmo rapaz ao balcão, sensivelmente na mesma, ainda jovem, o cabelo maior, igualmente magro, agora de bigode. Fez-me pensar nas voltas que dei na última década, quando o rapaz me saudou, reconhecendo-me, e com simpatia me disse, “Tem andado desaparecida”, como se não me visse apenas há um mês. Tantas voltas e o rapaz ali, a servir as mesmas mesas, sempre com o mesmo sorriso, que futuro terá ele? Entristeceu-me pensar na sua falta de perspectivas, na sua possível estagnação, que vejo em tantos rapazes que fui conhecendo, ou em senhores e senhoras com que me cruzo, pessoas que permanecem à medida que vamos mudando de vida e de sítio, convencidos de que evoluímos.

E logo depois, ao sentar-me a beber o café,........

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