Esperanças

Duas mulheres negras gloriosas descem a rua em passeios opostos. Uma delas empurra um carrinho de bebé e veste um vestido preto de alças que lhe descobre os pés. Tem um boné preto e um corpo atlético. A outra mulher é uma grávida em fim de tempo. Veste um vestido azul claro esvoaçante e um casaquinho cor de rosa, calça sandálias coloridas, tem as unhas dos pés pintadas da cor do batom. À espera de que abra o sinal para atravessar a passadeira, pousa as mãos na barriga.

Uma carregava o bebé acabado de nascer. A outra ia de esperanças, a iluminar a rua, com as suas tranças pelo meio das costas. Eu seguia dentro do carro, e fiquei-me a admirá-las. De onde teriam vindo as duas mamãs belas, mães daqueles pequenos portugueses, um na barriga, outro, pequenino, num dos seus primeiros passeios pela rua? Foi o tempo de abrir o semáforo vê-las passar a espalhar alegria. Transportavam a graça das novas mamãs. A que estava grávida ia tão importante, na sua tez jovem, carregando mistérios. Aquela que empurrava o........

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