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Rebeldes, separatistas e equívocos

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22.05.2019

A recente detenção de José Antonio Urrutikoetxea, conhecido como Josu Ternera, histórico dirigente da ETA a monte há quase duas décadas, foi noticiada com o recurso a adjectivos equívocos. A BBC descreveu a ETA como organização “rebelde” enquanto a Reuters preferiu o qualificativo “separatista”. Por cá houve abordagens idênticas.

A rebeldia é inegável, pois a ETA sempre pautou a sua conduta por insensibilidade e obstinação. Da mesma forma, o separatismo é evidente, já que a organização pugnou pela independência do País Basco. São, porém, termos ambíguos, e sobretudo curtos, não sendo preciso sair de terras bascas para perceber porquê.

Praticamente desde a sua génese, situada entre os finais do século XIX e inícios do século XX, que existem no nacionalismo basco duas grandes correntes. Por um lado, uma corrente soberanista, de corte radical, pouco disponível para a coexistência com Espanha. Por outro lado, uma via dita moderada, movida pela intenção de obter maior autonomia para o País Basco dentro de Espanha, uma forma de nacionalismo que, parafraseando Fernando Savater, olha para a independência como os católicos olham para o céu: um sítio idílico ao qual ninguém tem pressa de chegar.

A ETA inscreveu-se na primeira, a radical ou independentista, onde foi antecedida por organizações como o PNV Aberriano (1921-1930), o colectivo Jagi-Jagi (durante a II República) e o grupo Ekin (década de 1950). Todas estas organizações foram “rebeldes” e “separatistas”, porventura até extremistas. Contudo, ao contrário da ETA, nenhuma recorreu de forma preferencial e sistemática à violência enquanto instrumento de acção política. Não........

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