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As duas Espanhas vão a eleições

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12.03.2019

Justiniano Martínez, antigo secretário-geral do Partido Comunista de Espanha em Madrid, publicou em 2017 um texto de opinião no El País onde recordava os anos de clandestinidade em que atravessou a fronteira com exemplares do jornal Mundo Obrero às costas. Foi detido e torturado pelo regime franquista, “como testemunham as minhas vértebras”. Nos dias de hoje, estas credenciais de luta empenhada contra a ditadura valem pouco. Para o catalanismo radical, Martínez é um fascista pela simples razão de se opor à independência da Catalunha. Alegando o óbvio, o ex-dirigente comunista respondeu que o fascismo mata, o franquismo matou, e o uso frívolo de termos como “fascista” e “preso político” redunda num insulto à memória daqueles que, de facto, foram submetidos a sevícias e a privações de liberdade em consequência das ideias que defendiam.

Argumento semelhante foi defendido nas páginas do mesmo jornal por Julián Ariza, co-fundador das Comisiones Obreras, uma das principais centrais sindicais de Espanha. Lembrou os três julgamentos em tribunal especial onde foi acusado de delitos de opinião, de associação e de manifestação, um rol que lhe valeu mais de seis anos de cárcere. Concluiu, portanto, que qualquer comparação do momento presente à época franquista deveria envergonhar até aqueles que a apregoam. Ao denunciar a “loucura rupturista”, Ariza é também apelidado de fascista.

O opróbrio não conhece limites. O cantautor Joan Manuel Serrat, ícone da esquerda espanhola e divulgador da música catalã dentro e fora de fronteiras, é igualmente tratado como um perpetuador do legado do Caudillo. O acosso é intenso, pois Serrat nasceu na Catalunha e, segundo o nacionalismo mais acérrimo, está por isso obrigado a perfilhar as metas........

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