Ser de direita não chega |
No discurso de derrota das presidenciais, André Ventura assumiu-se como o líder da direita portuguesa. A afirmação não surgiu num momento de vitória nem como síntese de um programa. Surgiu como leitura política de um resultado e é precisamente por isso que merece ser levada a sério.
Ventura não se apresentou como liberal ou social democrata, nem tentou apropriar-se dessa linguagem. Disse algo mais simples e, por isso, mais ambicioso: afirmou-se como líder da direita. Sem adjetivos. Sem qualificações. Como se a direita fosse um bloco homogéneo, ideologicamente coerente e naturalmente convocável.
É aqui que começa a confusão.
A direita nunca foi uma coisa só. A direita liberal, a direita conservadora e a social-democracia de matriz europeia partilham pontos de contacto, mas partem de pressupostos muito diferentes. Misturá-las sob o mesmo rótulo pode ser politicamente útil — sobretudo num discurso pós-derrota —, mas é intelectualmente pobre.
Quando alguém reivindica para........