Menos urgências ou menos acesso? |
Uma mulher com mastite — uma inflamação mamária que pode evoluir para infeção — recorreu à urgência com dor e necessidade de avaliação clínica. Foi orientada a contactar o SNS 24. Seguiu o circuito definido: triagem telefónica, encaminhamento para cuidados de saúde primários e deslocação presencial a uma unidade de saúde.
Quando chegou, não havia capacidade médica para resposta imediata. Não houve prescrição de terapêutica. Foi-lhe garantida vaga para o dia seguinte. Saiu com medidas de conforto — e com o tratamento adiado.
Este episódio, aparentemente simples, levanta uma questão que raramente entra no debate público: quando reduzimos o número de idas à urgência, estamos realmente a resolver problemas de saúde ou apenas a mudar o local onde esses problemas ficam por resolver?
Nos últimos anos, a reorganização do acesso às urgências tem sido apresentada como sinal de eficiência. A lógica é compreensível: filtrar situações não urgentes, encaminhá-las para respostas mais adequadas e libertar os serviços hospitalares para os casos verdadeiramente críticos. Em teoria, é um modelo racional. Na prática, depende de um pressuposto essencial: a existência de capacidade real de resposta fora da........