menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

A pediatria e as urgências: o que aprendi com meus doentes

7 0
friday

O relógio marcava 1h30 da manhã em mais uma noite no Serviço de Urgência Pediátrica. Na triagem, um bebé de dois meses recebia pulseira laranja.

Na queixa lia-se: “Choro inconsolável, pais preocupados”.

Iniciei a consulta já com algum automatismo, vício da prática clínica. Tratava-se de um lactente sem sinais de gravidade, sem febre alta, sem um motivo evidente para estar ali àquela hora, pensei eu, influenciada pelos anos de urgência. Ainda assim, a mãe, visivelmente angustiada, repetia, quase em tom de desculpa: “Eu sei que não é nada de especial, mas ele não parava de chorar e eu já não sabia o que fazer.”

Durante muito tempo ouvi frases destas como excesso de ansiedade ou de uma procura desnecessária........

© Observador