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Somos todos privados

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05.04.2019

Por estes dias, a excitação ideológica do período eleitoral tem levado à demonização do papel dos privados na prestação de serviços públicos. Esta demonização é paradoxal por dois motivos. Primeiro, porque são os privados que financiam o Estado através de impostos, pelo que os privados terão sempre um papel fundamental na prestação de serviços públicos: o de os pagar. Segundo, porque revela uma visão perigosa da relação entre o Estado e a população.

Todos os serviços do Estado são prestados por pessoas. Não sendo o Estado, por enquanto, proprietário de ninguém, então todos os serviços do Estado são prestados por privados. Excetuando aqueles regimes que levam a ideologia socialista ao seu extremo, nenhuma pessoa é propriedade do Estado. Trabalhe onde trabalhar, uma pessoa será sempre livre e terá os seus interesses privados. Um professor numa escola pública é tão privado como um professor numa escola particular. Nesse sentido, o Estado estará sempre dependente dos privados (as pessoas) para garantir os seus serviços.

A questão não é, então, se o Estado depende de privados, mas de que forma esses privados se organizam para prestar os serviços públicos. Aquilo que hoje se chama “público” mais não é do que a organização de interesses privados sob a forma de uma estrutura burocrática dirigida por políticos de carreira. A alternativa a isso é a organização por via de empresas, cooperativas e outras formas alternativas à burocracia estatista e centralista.

Sem surpresas, os políticos socialistas preferem que as pessoas privadas se organizem em estruturas burocráticas dirigidas por si. Ter um grande grupo de pessoas a depender de um político é a forma mais fácil de comprar votos e garantir a sua........

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