O apoio confrangedor ao requentado político

Há um momento na política portuguesa em que o desconforto deixa de ser apenas um estado de espírito e passa a ser um espetáculo público. É mais ou menos aí que estamos quando vemos deputados e altos dirigentes do PSD, de sorriso preso e aplauso mecânico, a correr para o abraço de Luís Marques Mendes, como se estivessem a cumprir uma coreografia ensaiada à pressa nos bastidores de um congresso mal iluminado.

O apoio surge, dizem-nos, por “sentido de responsabilidade”, essa expressão elástica que tanto serve para justificar abstenções como para explicar entusiasmos que ninguém consegue localizar com precisão. A verdade é que o apoio a Marques Mendes tem menos de convicção e mais de reflexo condicionado. É o gesto automático de quem confunde antiguidade com força, presença televisiva com tração política, e comentário persistente com........

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