O que vai defender Portugal na ONU, as "palavras do meio"?

As Portuguesas e os Portugueses, sobretudo aqueles que tal como eu residem no estrangeiro e seguem com expectativa as notícias sobre o nosso país, não ficaram seguramente indiferentes com as celebrações do dia de Camões e das Comunidades, nem com a efusiva celebração da “eleição histórica“ de Portugal como Membro Não Permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas (2027-2028) por parte do Ministro dos Negócios Estrangeiros Paulo Rangel e do Representante Permanente de Portugal junto da ONU, o Embaixador Rui Vinhas em plena Assembleia das Nações Unidas.

Mesmo para aqueles que não entendem nada de protocolo, a celebração dos nossos representantes trouxe-nos à memória a forma como os adeptos celebram os golos da seleção nacional, em casa, nos cafés e nas esplanadas, como se Portugal tivesse ganho o campeonato do mundo da Diplomacia, eu particularmente fiquei na expectativa de ver Paulo Rangel sair a correr para o canto da sala, junto da bandeira da ONU, gritar “SIIIIIUUU!!!!”, depois de dar um salto e abrir os braços, imitando o Cristiano Ronaldo em campo.

Como não tinha presente a relevância do que tinha acabado de presenciar, fui ler e rever os livros de história e constatei que não é a primeira vez que Portugal é eleito para o Conselho de Segurança, onde já teve assento como membro não permanente em três ocasiões (1979-1980; 1997-1998 e 2011-2012), e se juntou à mesa com os Estados Unidos, a China, a Rússia, a França e o Reino Unido que são os membros permanentes, com direito de veto.

Por seu lado, nas celebrações do dia 10 de Junho nos Açores, António José Seguro apelou ao uso das “palavras do meio” como um “antídoto contra o vírus da polarização” e para “criar pontes entre as pessoas, os portugueses, as instituições e as ideias” o que se percebe do Presidente de um país que é tradicionalmente avesso a tomar decisões e deixa arrastar a realidade para ver o que acontece, para ver se as coisas se resolvem por elas próprias, sem ter de tomar decisões fraturantes, como é o caso do novo aeroporto de Lisboa que se arrasta desde 1969, ou como a questão de Olivença, que se arrasta desde 1801 e que Portugal já devia ter reconhecido como território nacional, temporariamente administrado por Espanha, de facto, para poder apoiar a comunidade e a Portugalidade daqueles que estão esquecidos e esperam mais de 5 e 6 anos pelo passaporte nacional e não são poucos. Dito isto, numa encruzilhada da história, tal como numa saída da autoestrada, o meio não é opção, é preciso escolher um rumo e tomar decisões inequívocas para resolver os problemas.

A missão do Conselho de Segurança das Nações Unidas é zelar pela manutenção da paz e pela segurança internacional, o que por si só não é tarefa fácil num mundo desafiante em que a velha ordem mundial está em rotura, para isso Portugal necessita de ter alguma........

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