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Teatro do Punho Erguido

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Há imagens que valem mais do que horas de debate parlamentar. A de 19 de junho em São Bento foi uma delas. Nas galerias da Assembleia da  República, uma fila de dirigentes sindicais erguia os punhos cerrados em sinal de  vitória. Aplaudiam, sorriam, celebravam. O pacote laboral tinha sido chumbado e,  para aqueles rostos satisfeitos, o dia terminava com uma conquista. Mas a pergunta impõe-se: vitória de quem?

Certamente não dos jovens que saltam entre contratos temporários sem  conseguirem planear a vida para além dos próximos meses. Certamente não dos  trabalhadores que vivem presos à precariedade e à incerteza. Certamente não das  empresas que lutam para competir num mercado global enquanto carregam às  costas décadas de rigidez legislativa, burocracia e custos de contexto.

Enquanto os punhos se erguiam nas galerias, muitos portugueses tinham razões  para baixar os olhos. Porque sabem que a estagnação não é uma teoria. É uma  realidade que tem consequências, tem nomes, tem famílias e tem sonhos adiados.  E, demasiadas vezes, tem lágrimas.

O mais surpreendente, porém, não foi a celebração da esquerda sindical. Dela já  pouco surpreende. O verdadeiro espanto veio da bancada do Chega. Um partido........

© Observador