O Barco e o Epitáfio
Há gestos políticos que dizem mais do que discursos inteiros. Quando Mariana Mortágua trocou o plenário pela maré e embarcou numa flotilha rumo a Gaza, não foi só uma decisão de agenda: foi uma declaração de identidade e, de certo modo, de falência. Não se trata de questionar a bondade de uma causa, a solidariedade tem lugar, mas de perceber que, em política, o gesto não vem desassociado do cálculo. E este gesto, caro leitor, saiu mal.
O Bloco de Esquerda não caiu de repente. Caiu por acumulado: por escolhas que foram diminuindo a sua utilidade, por incoerências que corroeram autoridade, por cerimónias que empobreceram o conteúdo. Nos anos da geringonça, havia uma margem de influência. Depois veio o divórcio com o PS, a redução para cinco deputados, a sensação de impotência e, por fim, a travessia para a nostalgia, cabeças de lista ressuscitadas, discursos cada vez mais teóricos, uma linguagem que soava a catequese. Em 2025 o saldo foi cruel: um deputado, meio milhão de votos evaporados numa década. Dados que não são metáforas; são ossos do ofício democrático.
A incoerência interna acelerou a queda. Despedimentos por telefone, incluindo mães em amamentação, não são apenas um erro........





















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