Robôs, serviço militar obrigatório e país sem estratégia |
Portugal, com menos atraso do que habitual em relação ao resto da Europa, decidiu-se por um novo serviço militar voluntário parcialmente remunerado, seguindo o exemplo da França. Há quem preferisse o regresso do velho serviço militar obrigatório, e até quem veja nisso a chave para a salvação da pátria, uma escola de disciplina e patriotismo. Mas o regresso ao passado é, sempre, impossível, e, mesmo que fosse possível, não daria resposta aos problemas do futuro. Devemos evitar repetir o erro frequente de nos prepararmos para combater as guerras do passado, em vez das guerras do futuro. É positivo que o governo esteja a rever a política de defesa nacional para ter em conta um mundo mais conflituoso e uma extraordinária revolução tecnológica. Mas convinha que isso correspondesse a uma nova estratégia, com prioridades claras e públicas.
Revisão urgente da estratégia de segurança nacional
É realmente importante repensar, sem tabus ou nostalgias, o modelo de recrutamento existente. Mas se voltarmos a precisar de ter um serviço militar obrigatório, por manifesta falta de recrutas qualificados, deverá ser profundamente repensado, desde logo não deverá ser exclusivamente masculino. E não devemos ter a ilusão de que será a panaceia para as ameaças do século XXI. É vital investir em reforçar capacidades, em adquirir novos sistemas de armamento, tendo em conta o papel crescente dos drones e de outras tecnologias disruptivas que estão a transformar radicalmente a natureza da guerra. Veja-se o que a Ucrânia e o Irão, sem marinhas convencionais, estão a fazer no campo naval que tanto importa a um país como Portugal. Mas isto deveria ser feito como parte duma revisão sistemática da estratégia de segurança nacional. O que nos remete para a anormalidade de continuar em vigor um conceito estratégico de defesa nacional que data de 2013. O mundo mudou muito desde que estive envolvido nesse texto. O governo terá dito que está quase a sair um novo documento, mas continuamos a ver decisões estratégicas com implicações a prazo, sem conhecermos a estratégia que as justifica.
As boas práticas para revisão da doutrina........