Messias e Perigos
O D. Sebastião da Administração Interna
Escrevi aqui que era uma má ideia tentar resolver um problema estrutural do nosso sistema de gestão de crises com um salvador, pior ainda era o chefe máximo de uma polícia, que deve ser apolítica, passar diretamente para ministro. Entretanto Luís Neves descobriu à sua custa a rapidez com que a política transforma uma personalidade consensual, com reconhecidas qualidades de eficácia e liderança, de bestial em besta. O relevante nisto? Perceber o peso de uma cultura de informalidade e de impunidade numa parte do sistema policial e judicial, algo que já vinha ficando clara com frequentes e sempre impunes fugas de informação sobre processos em curso.
O grande perigo para um política sã é que um salvador, um messias não pode falhar. D. Sebastião, tão desejado desde o nascimento, acabou por levar Portugal ao desastre, quase fatal, de Alcácer-Quibir. E nem assim os sebastianistas deixaram de acreditar nele e insistiram que voltaria, um dia, para salvar a pátria numa manhã de nevoeiro. Também continua a haver quem ache que a Luís Neves apenas falta fazer chover. De Trump a Le Pen não faltam outros candidatos a perigosos salvadores da respetiva pátria. Provavelmente é mesmo a concorrência nesse campo que gera tanta irritação contra Luís Neve da parte de André Ventura, outro candidato a messias caseiro.
Contra o estreito de Áden marchar, marchar
O preço dos combustíveis continua a disparar. Os huthis, o grupo xiita, armado e financiado pelo Irão, marcharam para sul e conseguiram controlar toda a........
