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O Chega é a prova de que o Chega tem razão

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19.03.2026

Temos assistido durante estes últimos anos a um desfilar de figuras tristes dos nossos representantes nos órgãos de poder, que nos deixam a sensação de estarmos no fim de um tempo.

Desde um primeiro-ministro corrupto, outro que tinha como assessor alguém que recebia dinheiro sem declarar às finanças, deputados que declaravam viver fora de Lisboa para receber subsídios de deslocação, autarcas que abusaram dos dinheiros públicos, tudo isto deixa no povo uma sensação de estar a ser enganado, e com uma desconfiança generalizada sobre os políticos, que abriu as portas de par em par para a entrada de um partido que se aproveita dessas situações para acolher votantes, sejam eles de esquerda ou de direita.

É exactamente através de um apontar de dedo a estas situações que o Chega fez o seu caminho e é nesta incómoda desconfiança que a gente sente que o seu crescimento encontra a sua justificação.

Mas há outras situações em que o Chega se baseia para consolidar o seu caminho e que são as questões que verdadeiramente preocupam o português no seu dia a dia e que, porque os políticos criaram uma realidade politicamente correcta, ninguém, fora deste partido, teve ainda a coragem para vir desmascarar publicamente.

Já podemos dizer publicamente que há Homens e Mulheres, desde que, nos Estados Unidos, a teoria woke foi claramente desmascarada como uma mentira sem fundamento, mas não podemos ainda dizer que no Mundo há raças ou etnias diferentes, porque continua a ser veiculada a mentira de que somos todos iguais.

Não somos e isso é a enorme maravilha da Humanidade.

A complementaridade de cada um de nós é a maior qualidade que temos.

Aquilo que tem de ser igual é o respeito com que nos tratamos e somos tratados, os direitos que temos de aceder igualmente a todas as oportunidades e a responsabilidade que temos por cuidar dos outros e da sociedade em que vivemos.

Isto significa que todos têm de ser tratados de igual forma tanto nos direitos como nas obrigações e, por isso, quando o Chega afirma que uma determinada raça tem que cumprir como os restantes cidadãos, ou quando declara que quem chega de fora tem que cumprir como os restantes, ganha uma enorme adesão às suas propostas.

E quando reclama a falta de segurança, também a população lhe dá razão e basta ver que não há um polícia nas ruas das nossas cidades e, quando há e fazem alguma acção de prevenção, são imediatamente e absurdamente postos em causa.

E podemos dar exemplos na justiça, com a situação de Sócrates que consegue gozar com todo um povo, ou na falta de rigor sobre o controlo dos fundos públicos ou mesmo no tratamento a que são sujeitos os portugueses que recorrem a esses serviços.

Mas o próprio Chega é a prova de que o Chega tem razão.

Desde ter tido no parlamento gente que rouba malas no aeroporto ou quem maltrata os seus pares através de violência verbal, ou numa câmara, quem tinha um império de habitação ilegal de imigrantes ou um pedófilo, mostra bem que a situação no país precisa de mudar, que é mentira que estejamos a fazer aquilo que os cidadãos esperam de quem os governa.

É fundamental voltar a falar verdade, enfrentar a realidade sem desculpas nem fingimentos e se não queremos que isto seja feito um dia por quem ganhe o apoio popular apenas porque denunciou aquilo que se está a passar, é absolutamente necessário que os representantes dos restantes partidos comecem a falar destes temas sem esta máscara perversa de pretender que basta não reconhecer o problema para que ele deixe de existir.

Foi o que nos fizeram nas últimas décadas e o voto no Chega é a maior afirmação de que o povo está farto e de que já percebeu que o rei vai nu.

Se não formos capazes de assumir a verdade e se não resolvermos os problemas que afligem o cidadão português, se continuarmos a pretender que quem assalta hospitais e escolas, bate em médicos e professores não tem de ser condenado, se acreditarmos que a permissividade é o caminho, então estaremos a abrir as portas a uma situação radical que já estamos hoje a adubar.

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