Omni tudo ao quase nada
Há um telescópio que olha para o princípio do tempo e há algoritmos que prometem dizer-nos quem somos. Nunca dispusemos de tantos instrumentos para explicar a existência, e raramente nos sentimos tão estranhos dentro dela. Talvez porque confundimos explicar com compreender, e compreender com viver.
A compulsão de significar
O ser humano não suporta o silêncio do sentido. Diante de um fenómeno, a primeira reação não é contemplá-lo, é nomeá-lo, medi-lo, encaixá-lo numa teoria que o torne nosso. Significamos tudo: a origem do universo, a forma do espaço, a expansão que talvez não seja expansão, a consciência, a emoção, a morte e aquilo que possa, ou não, vir depois dela. Significamos compulsivamente, como se a posse do sentido nos protegesse da vertigem de existir sem garantias.
Esta pulsão tem uma raiz antiga e uma ambição imensa: quisemos sempre ser omniscientes, omnipresentes, omnipotentes. Quisemos ser Omni tudo. E é precisamente aí, no excesso da ambição, que se prepara a queda para o quase nada.
Os deuses que nunca........
