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Natalidade e prioridades, uma perspetiva de gestão

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27.05.2026

Tenho refletido sobre o inverno demográfico aqui no Observador. A hipótese que sustento, baseada em dados, é que, mesmo sendo este um fenómeno multifatorial — e existe consenso científico nisso mesmo, estamos perante uma mudança civilizacional estrutural. Demógrafos conceituados, como Ron Lesthaeghe, chamaram-lhe “segunda transição demográfica”: uma transformação profunda dos valores, prioridades e modelos de vida das sociedades modernas.

As pessoas não deixam de ter filhos apenas por razões financeiras. Isso seria uma simplificação grosseira. Mas também me parece cada vez mais evidente que uma parte substancial do fenómeno resulta de uma mudança de prioridades. Em muitos casos, as pessoas podem ter filhos, mas optam por não os ter, ou por ter menos. Noutras situações, não querem precisamente porque antecipam os custos pessoais, profissionais e existenciais associados à parentalidade. E há ainda quem queira, mas sinta que não consegue. O fenómeno é complexo. A honestidade intelectual exige reconhecê-lo.

Enfermamos frequentemente em dois erros na análise desta matéria.

O primeiro é o monocausalismo económico ou de “género”. Sempre que o INE ou a ONU publicam dados sobre a natalidade, a explicação tende a recair quase exclusivamente sobre fatores económicos: habitação, precariedade, salários. Noutras leituras, por exemplo o comentador Henrique Raposo, culpa-se unilateralmente o homem contemporâneo ou a desigualdade doméstica, o que é falso e injusto. Bem explica a OCDE que, em primeiro lugar não existe desigualdade e que a “igualdade de género” provocou precisamente a reversão de prioridades e desvendou aos pais o chamado “custo de oportunidade da........

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