Novos-velhos foliões e transportes públicos
Andar de autocarro, de elétrico ou de metropolitano, significa pertencer – pelo menos no hiato de tempo da nossa partilha comum do espaço rolante que ocupamos – , a um elástico e considerável conjunto de pessoas que, por variadas razões, se servem dos transportes públicos para ir concretizando e preenchendo, tão proficuamente quanto possível, o seu respetivo quotidiano: são milhões os cidadãos que diária e voluntariamente se sujeitam e abandonam às condições ofertadas pelas empresas, municipais ou não, que lhes asseguram essas movimentações.
Conhecendo de perto o plano de ação de cada um desses meios de transporte – não lhes escapando inclusive algumas informações pontuais ligadas aos vários condutores que os transportam -, alguns desses cidadãos chegam ao ponto de declinar de olhos fechados, sem esquecer nenhuma, todas as Paragens para acolhimento ou despejo dos clientes, constantes nas diferentes Linhas coloridas afixadas nas costas dos abrigos de referência: são obviamente poucos os que conseguem tal façanha, pelo que é inevitavelmente um extraordinário espetáculo aquele que é patrocinado aos que, bafejados pela sorte, assistem ao vivo a essa ladainha recitada por essa elite de colegas de viagem. Ainda não me aconteceu essa ventura, o que afinal não é difícil de entender tendo igualmente em conta a minha curta experiência enquanto passageiro menos irregular dos transportes públicos, mas no entretanto já me comecei a treinar para um excitante eventual confronto futuro: neste momento, sou capaz de identificar, nos dois sentidos, vinte dessas Paragens numa determinada Linha van goghiana.
No meio de tanta diversidade de propostas e destinos, sobressai mesmo assim uma interessante........
