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Palavras sem obra: o risco de governar pela comunicação

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28.02.2026

Há uma tentação recorrente na vida pública contemporânea: a de colocar a comunicação política acima da própria ação governativa. Não como instrumento de explicação ou prestação de contas, mas como substituto da decisão e da execução. Num tempo dominado pelo ciclo noticioso permanente e pela tirania das redes sociais, muitos responsáveis políticos parecem acreditar que a narrativa pode anteceder, moldar ou até dispensar a substância. É um equívoco perigoso.

A comunicação é, sem dúvida, parte integrante da política. Governar implica explicar, persuadir, escutar e ajustar. Uma reforma estrutural sem pedagogia pública arrisca-se ao fracasso; uma medida necessária mal comunicada pode gerar desconfiança e resistência. No entanto, quando a........

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