A importância do Médico de Família e o erro do PSD |
Envio o texto mais abaixo, escrito por um aluno do primeiro ano de medicina no estágio de 15 dias que há 15 anos fez comigo, para que se compreenda qual a importância do Médico de Família.
No dia em que ficámos a saber que o Ministério da Saúde vai continuar a deixar 15% da população completamente desprotegida sem ter direito a um Médico de Família. Que tendo já aberto concurso para 10 Unidades de Saúde Familiar de Modelo C , USFs que se pretendiam iguais às do SNS mas de gestão privada, para cobrir 127 000 utentes soubemos agora pela proposta das Grandes Opções do Plano 2026-2029 que afinal, o conjunto de USFs C com Convenções com Médico de Família (outra promessa repetida) irá apenas cobrir 60 000 utentes e isto até 2029. Ou seja, que o Ministério irá paralisar os concursos já abertos (ou então apercebeu-se de que as candidaturas já apresentadas não cumprem minimamente os critérios – e como podem quando os valores máximos dos concursos são muito abaixo dos encargos salariais com os profissionais em início de carreira das USFs do SNS ?)
Dos 10 concursos abertos conhece-se o resultado de metade: três unidades foram chumbadas e duas aprovadas. As aprovadas foram ganhas pela KnokHealthcare, uma empresa tecnológica especializada em teleconsultas sem prática conhecida na prestação de cuidados de saúde primários presenciais e beneficiária de Fundos Europeus para a Inovação. A opção por empresas tecnológicas de telemedicina, pelos critérios de escolha, também é muito clara no concurso para uma USF C do Lumiar que impugnei. E claro, as convenções com Médicos de Família , prometidas logo desde o início, irão continuar sem abrir.
Isto quando o Ministério da Saúde continua a contratar “tecnológicas” para substituir as consultas presenciais onde não tem médico de família por teleconsultas online (os utentes vão ao centro de saúde para terem acesso a um computador para serem atendidos por um médico indiferenciado, em teleconsulta).
As chamadas para as USFs a pedir uma consulta do dia são automaticamente transferidas para a linha SNS 24 (paga pelos contribuintes) e o doente não consegue falar com o “seu” Médico de Família. Isto quando a USF dispõe de secretários clínicos para atenderem as chamadas e o Médico está presente.
Mas permitir que quem não tem Médico de Família possa optar por ser seguido no setor privado ou social isso é que o Ministério da Saúde não quer. Pois não permite que estes médicos possam requisitar........