Entre Seguro, Ventura e Passos
Confirmando o que a generalidade das sondagens apontavam, a segunda volta vai mesmo ser disputada entre António José Seguro e André Ventura. A excepção foi a última sondagem pré-eleitoral da Intercampus, publicada no dia 14 de Janeiro, que notavelmente — e em completo contraciclo com as restantes sondagens relativas ao mesmo espaço temporal — colocava Marques Mendes na segunda posição e, ainda mais notavelmente, relegava Seguro para a quarta posição com um resultado mais de 15 pontos percentuais abaixo da votação que efectivamente veio a ter nas urnas no dia 18 de Janeiro.
Os resultados da primeira volta confirmaram o tremendo erro estratégico que foi a insistência por parte da actual liderança do PSD na candidatura de Marques Mendes. Forçar a candidatura de Marques Mendes contra todos os alertas (externos mas também internos no próprio PSD) foi um erro grave que terá consequências profundas e duradouras. A confirmação da previsível passagem de André Ventura à segunda volta faz com que os resultados da primeira volta assumam muito provavelmente um carácter decisivo, com a (ainda) muito elevada taxa de rejeição de Ventura a deixar o caminho aberto para uma vitória mais ou menos folgada do seu opositor — neste caso António José Seguro.
O espectáculo — entre o trágico e o cómico — a que temos assistido desde a noite eleitoral de colagem apressada (e em alguns casos desesperada) ao provável futuro Presidente da República por parte de um vasto conjunto de figuras semi-públicas do regime diz mais sobre essas figuras do que sobre Seguro, mas creio que em nada ajudam à sua eleição. Pelo contrário, os apelos à constituição de uma vasta frente anti-fascista para “defender a democracia”, além de serem em si mesmos ridículos, validam o discurso anti-sistema de Ventura e fornecem-lhe a plataforma ideal para crescer na segunda volta face ao resultado da primeira. Como bem salientou Alberto Gonçalves:
“É curioso ver o mítico “sistema” unido de forma quase unânime em volta do dr. Seguro. E é ainda mais curioso perceber a latitude do “sistema”, que vai do prof. Cavaco à dra. Catarina Martins, do dr. Portas ao dr. Rui Tavares, de pessoas civilizadas a apoiantes do Hamas. É impossível que toda esta gente queira o mesmo de um PR, mas é garantido que não querem o dr. Ventura em Belém. Ao fazê-lo, estão a reconhecer implicitamente........© Observador
