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A letargia do PSD e o atraso do país

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24.06.2026

O Congresso do PSD fica circunstancialmente marcado pela pesada derrota do Governo com o chumbo parlamentar da reforma laboral. Numa governação caracterizada pela gestão do status quo e pela notória incapacidade de reformar, o pacote laboral era uma espécie de esperança redentora de que o executivo liderado por Luís Montenegro seria capaz de ir mais além. A aprovação da reforma laboral simbolizaria que, pelo menos nesta área, o Governo estaria a mudar algo de substancial com vista à promoção do bem do país e dos portugueses num horizonte temporal mais alargado. O seu fracasso é a confirmação do estado de letargia da governação e da incapacidade da actual liderança do PSD para fazer diferente no quadro parlamentar vigente.

O problema é que esta letargia da governação é ela própria reflexo e consequência da letargia do PSD que, como bem apontou José Manuel Fernandes, é hoje cada vez mais um “partido de simples ocupação do poder”. Pior (para o PSD e para o país): essa realidade do partido como entidade clientelar – sem programa nem ambição reformista – é cada vez mais indisfarçável. O desfile de ministros (alguns nem sequer militantes do PSD, como o ex-Director da Polícia Judiciária e actual MAI Luís Neves) a prestar contas num Congresso partidário teve um toque norte-coreano mas foi acima de tudo uma confissão de que não havia imaginação política para ir além disso nem ideias para discutir. O anúncio final de um novo “fundo soberano” para promover a intervenção do Estado em “sectores estratégicos” foi a cereja no topo deste bolo mal confeccionado: reforçando o estatismo e acenando (uma vez mais) aos interesses instalados e às perspectivas de rentismo........

© Observador