Notas de ano novo |
1 O PSD não precisa de Luís Marques Mendes em Belém. Já está no governo, constitui a maior bancada no Parlamento, detém as maiores autarquias do país e governa nas duas Regiões Autónomas. Não precisa de Mendes em Belém como não precisou de Marcelo. Pelo contrário, Mendes pode ser um empecilho para Montenegro porque sobre os dois pairam o mesmo tipo de suspeições: a das suas relações com o Estado. E não, não se trata de questões de ilegalidade, mas de mera suspeição que cansa, desgasta e que alimenta e dá força a mais suspeições. Num momento em que as democracias liberais são acusadas falta de clareza, ter na presidência alguém que, vindo do seu partido, alimenta discursos populistas não será uma boa notícia para Luís Montenegro. Dito da forma mais simples possível, um facilitador em Belém da área do PSD pode ser difícil para o PSD.
2 Há duas semanas escrevi que André Ventura será um presidente que vai fazer pressão constante sobre o primeiro-ministro até que este ceda à sua vontade, que é determinar o curso do governo a partir de Belém. A Constituição delimita as funções presidenciais mas, como qualquer sistema constitucional que se preze, tem margem para folga. Ser flexível confere-lhe a resiliência necessária para não partir à primeira. Ora, sobre esta matéria convém salientar o seguinte: o nosso sistema, apesar de ter 50 anos, ainda não passou por qualquer........