Praxe - Podemos parar de olhar para o chão?

Todos os anos, milhares de jovens chegam à universidade pela primeira vez. Têm entre 17 e 18 anos, estão no início da idade adulta, numa fase em que ainda estão a construir quem são, os seus valores e a forma como se relacionam com o mundo. Chegam cheios de entusiasmo, mas também com medo. Para estudantes que estejam a passar por uma fase menos boa, que se sentem deslocados ou inseguros, este momento é ainda mais delicado.

É nesse momento de fragilidade que muitos entram em contacto com a praxe. Uma tradição que se apresenta como integração, espírito académico e rito de passagem. Na prática, é uma aula intensiva de como obedecer sem perguntar porquê.

Alguém lhes diz: “Olhos no chão, caloiro”. A primeira lição da universidade está dada. Não se aprende a pensar. Não se aprende a questionar. Aprende-se a olhar para os pés e a sorrir. Muitos aceitam. Cantar no meio da rua. Ser tratados por “bichos”. Pedir autorização para falar. Cumprir ordens sem sentido. Tudo em nome de uma promessa vaga chamada........

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