Capitalismo do “não tenho tempo”
“Não tenho tempo”.
Diz-se como quem pede desculpa por existir. Como quem apresenta um crachá invisível que comprova pertença a uma elite moderna: a dos ocupados, a dos indispensáveis, a dos que chegam sempre tarde, inclusive a si próprios.
O “não tenho tempo” deixou de ser apenas uma constatação. Tornou-se uma identidade. Já não descreve circunstâncias; define um valor. No capitalismo contemporâneo, o tempo não é apenas dinheiro, é estatuto. Quanto menos tempo se tem, mais importante se parece ser. Quanto mais cheia a agenda, mais vazia pode estar a vida. Mas isso já não entra no balanço.
Vivemos num sistema que não vende só produtos ou serviços. Vende urgência. Vende a sensação permanente de atraso. Tudo é “agora”, “já”, “antes que seja tarde”. O descanso passou a ser uma falha de carácter. A pausa, um luxo suspeito. O ócio, um pecado quase imoral, tolerado apenas se for produtivo, de preferência documentado, partilhado e otimizado.
O capitalismo do “não tenho tempo” não nos rouba as........





















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