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Mais cursos, menos jovens: o verdadeiro problema

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27.01.2026

Entre 2020 e 2025, a população jovem em idade típica de entrada no ensino superior em Portugal — medida pelas coortes etárias dos 18 anos, ou de forma mais robusta pelos 17– 19 anos — manteve-se estagnada ou em ligeira diminuição. Trata-se de uma tendência estrutural, previsível e amplamente documentada, resultante da baixa natalidade persistente desde o início dos anos 2000, aliada ao envelhecimento progressivo da população.

Em sentido inverso, a oferta de ensino superior continuou a crescer. No setor público, os dados do Concurso Nacional de Acesso (CNA) mostram uma manutenção — e, em alguns anos, um ligeiro aumento — do número total de vagas. No entanto, quando se observa o número de cursos com oferta de vagas, o quadro altera-se: em 2025 existiam cerca de mais 67 cursos com vagas no CNA ( 697 vagas) do que em 2020. O resultado é simples e paradoxal: mais cursos a disputar praticamente o mesmo volume global de vagas, o que se traduz em menos vagas por curso e numa fragmentação crescente da oferta.

Importa sublinhar que as vagas do CNA não representam a totalidade da oferta existente em Portugal, uma vez que retratam apenas o ensino superior público. O setor privado, que funciona quase integralmente fora do CNA, corresponde hoje, a 476 cursos de licenciatura (1.º ciclo) e mestrado........

© Observador