Expulsamos quem trabalha |
Portugal perde todos os dias alguns dos seus melhores trabalhadores. Não por falta de amor ao país ou ambição, mas porque quem trabalha bem é sistematicamente penalizado. Penalizado com impostos elevados e com a sensação constante de que trabalhar mais serve, muitas vezes, apenas para pagar a quem não trabalha.
Há algo profundamente errado no nosso país quando profissionais excepcionais, qualificados, responsáveis e produtivos, concluem que ficar não compensa.
Este fenómeno tem um custo altíssimo, raramente discutido com seriedade. O Estado português investe durante décadas na educação destas pessoas: escola pública, universidades, formação subsidiada. Todo esse investimento é pago pelos contribuintes portugueses. No entanto, o retorno desse esforço coletivo acaba por ser entregue a outros países, que recebem profissionais formados, prontos a criar valor, sem terem suportado o custo da sua formação.
Por outras palavras, Portugal paga, os outros colhem.
Poucos países na Europa vivem isto com a intensidade que nós vivemos. A emigração faz parte da nossa história, mas hoje tornou-se estrutural. Normalizámos a saída dos melhores como se fosse inevitável. Não é. É consequência direta de escolhas políticas, fiscais e culturais que desincentivam o trabalho sério e premiam a dependência e o pouco trabalho.
E isto é particularmente trágico dado Portugal ter tudo para ser um país de sonho para profissionais de excelência. Temos qualidade de vida, proximidade humana, segurança, bom clima, história.
Temos, acima de tudo, uma profunda herança de trabalho, esforço e superação. O país dos Descobrimentos não foi construído com facilitismos, mas com sacrifício, ambição e coragem.
O problema não é falta de talento nem falta de capacidade. É tolerarmos demasiado a preguiça, o não trabalho. É aceitarmos que quem contribui mais seja constantemente chamado a compensar quem pouco ou nada contribui. Essa lógica corrói a motivação, afasta os melhores e empobrece o país.
Um país que penaliza quem trabalha está condenado a perder os seus melhores. E um país que perde os seus melhores perde futuro, perde identidade e perde soberania económica. Valorizar o trabalho não é um slogan político: é uma condição de sobrevivência nacional.
Portugal não precisa de reinventar tudo. Precisa apenas de voltar a respeitar quem trabalha, cria valor e quer ficar.
Porque quando um país deixa de ser justo para os seus melhores, deixa, lentamente, de merecê-los.
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