Um museu para as monas lisas |
A Mona Lisa vai ter um quarto só para ela. Verdade que já tem idade para isso – pouco mais de 500 anos bem conservados –; o assunto, porém, levanta outras inquietações.
Não sei se, alguma vez, esteve diante dela, mas a probabilidade é grande. A “Gioconda” tem estado, até hoje, na Salle des États, nem mais nem menos do que a mais visitada sala do museu mais visitado do mundo: todos os dias, entram no Louvre 30 mil visitantes, 80% dos quais apenas para ver a “Mona Lisa”. Perdão, para fotografar a “Mona Lisa”. Melhor: para se fotografarem com a “Mona Lisa”.
Porque é que a “Mona Lisa” é tão célebre? Cinco séculos depois, temos finalmente a resposta. Não é pelo mistério, uma vez que os investigadores já concluíram de quem se trata acima de qualquer dúvida razoável: Lisa Gherardini, esposa de Francesco del Giocondo, o rico comerciante de Florença que encomendou a obra (e que, portanto, não, não é um homem, muito menos um autorretrato de Leonardo Da Vinci, nem Maria Madalena ou lá como era na história de Dan Brown). Também não é por ser o mais belo quadro do mundo, ainda que seja realmente belo, talvez não seja sequer o mais belo de Da Vinci, nem por ser assim tão bela a retratada, mesmo que gostos não se discutam. Tem um sorriso misterioso, dizem, e que se poderia confundir com tédio; um olhar que nos segue para todo o lado, o que poderia ser um problema; notável uso do sfumato e uma paisagem de fundo que ninguém sabe identificar. Sim, a “Mona Lisa” será famosa um pouco por tudo isto, mas, mais do que tudo, é famosa… por ser famosa. É visitada porque tem de ser visitada. Porque toda a gente visita. Porque é o quadro mais famoso do mundo. Porque também tu tens de........