Um fado de chuva e fogo
Deve ser uma espécie de maldição qualquer, talvez um castigo pelo absurdo Acordo Ortográfico que lhe aboliu o “p” no topónimo, mas conservou no gentílico, que um país que se gabava do que tinha de graça, o Sol e o melhor clima da Europa, pareça agora, e em crescendo de ano para ano, fustigado pelas sete pragas do Egipto – Egito, para os mais sensíveis. De Verão, o fogo; no Inverno, água sem fim; num e noutro, a terra a ser desertificada, erodida e, por fim, derrocada e arrastada pelas águas. Sobra o ar, considerados os quatro elementos do universo segundo Empédocles: o ar do tempo, o ar aflito e alguns cabeças-de-vento.
E agora? Agora que a expressão “Comboio de Tempestades”, que parecia apenas o nome de um filme com Steven Seagal, daqueles que iam directos para o velho clube de vídeo, ameaça tornar-se tão banal como “Abril, águas mil”, vento norte ou geada?
A ministra da Administração Interna demitiu-se terça-feira, com nove meses de atraso, depois de outros tantos passados no cargo a explicar que tinha de estudar os dossiers e que os temas eram complexos, que “como a maioria das pessoas” não tinha respostas e a fugir aos jornalistas. Ora, mesmo dando o desconto de que é certamente por alguma boa razão........
