Os vândalos contra a ditadura

Não deixa de ser fascinante. Vivemos durante séculos numa cultura construída sobre um livro escrito, traduzido e compilado, nalgumas partes, trezentos anos depois dos acontecimentos que narra; mas hoje, temos dificuldade em confiar no relato do que acontece ao momento. Imagine-se o trabalho dos juízes naqueles julgamentos em que, por mais forte convicção que tenham formado, faltem as provas. Hoje, temos provas de tudo, tudo é filmado de todos os ângulos e relatado por todos os lados, e, no fim, o que temos são provas para todos os gostos. Uma por cada par de olhos. Provas que provam a culpa e provas que provam a inocência. Que um lado tem razão – e que o outro também não.

De acordo com o que vamos assistindo em directo, nas televisões e nos telemóveis, o instante histórico que vivemos em Portugal pode aparentemente resumir-se em poucas palavras: de um lado, estão os vândalos; do outro, a ditadura. E antes que culpe os jornalistas ou os políticos, vá ver a cobertura imparcial dos “cidadãos”.

Daqui por muitos anos, não sei como explicar aos meus netos de que forma........

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