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O casting para Presidente está quase a fechar

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16.01.2026

Foi um fenómeno, caro leitor. Daqueles para contar. As presidenciais costumam ser aborrecidas. Estas tinham tudo para ser ainda mais aborrecidas. Porque o Presidente não tem poderes executivos e é pouco mais e pouco menos do que a Rainha de Inglaterra (sim, para efeitos de figura de estilo, há-de ser sempre rainha). Porque o país tinha acabado de vir de legislativas, que são as eleições que, supostamente, contam alguma coisa para o baralho, e já estaria um bocado farto disto de ter de ir a votos. Porque não havia nenhum grande candidato ou, pior, as eleições estavam já alegadamente ganhas para um outsider. Como foi que chegámos aqui? A esta incerteza a dias do facto? Como foi que um leque de 11 não presidenciáveis deu as melhores presidenciais dos últimos 20 ou 30 anos?

Estas foram as primeiras eleições em que todos os candidatos fizeram uso plenamente consciente do tempo que vivemos: dos media constantes em torno deles, das redes sociais, dos estudos de opinião a saírem quase diariamente, da voracidade da informação e da velocidade com que a nossa atenção hoje escolhe um tema como o fim do mundo e amanhã já o descartou e passou a outro. Foram as primeiras eleições em que todos compreenderam que os ciclos noticiosos que antes podiam durar semanas ou meses, hoje dificilmente sobrevivem ao súbito aparecimento do dia seguinte.

Se, em tempos, a política se fazia com instinto, nestas presidenciais tudo foi cálculo. Imagem cuidadosamente preparada, debates cuidadosamente preparados. Não voltariam a cometer o erro de ignorar as redes sociais, não voltariam a cometer o erro de subestimar a importância de mostrar um lado mais vulnerável ou humano e de ir aos programas de entretenimento........

© Observador