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Nosso senhor das sardinhas e do esquecimento

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Todos os anos, é o mesmo. Não é como a sonsice do “entretanto, meteu-se o Verão” ou o Natal, em que toda a gente finge que não estava já a contar com isso desde o ano anterior; é real – nunca ninguém está à espera dele: do Corpo de Deus. Ano após ano, por volta de fins de Maio, inícios de Junho, somos apanhados completamente desprevenidos. “Ai, amanhã estão fechados? Mas então porquê? Quinta não podem? É feriado? Feriado de quê?”. E quando alguém responde, terminamos a conversa com um “Aaahhh”, prolongado e nada convincente. Em 2026, como em 2016, como em 2005 ou 1997, a história repete-se: continuamos a não fazer ideia do que se celebra, mas metemo-lo no bolso à laia de brinde, bónus, gratos como quem achou cinco paus na rua. “Nem sei bem se estás aí, ó Deus, mas, em estando, obrigadinhos.” Nem tudo pode ser sempre mau.

O Corpo de Deus é o patinho feio dos feriados – mas quanto carinho temos pelo patinho feio. Não é o 25 de Abril nem o 1.º de Maio, cheios de vigor e orgulho nos direitos conquistados, não é o histórico 5 de Outubro nem o tradicionalíssimo Dia de Todos os Santos, não compete com a Páscoa nem a Sexta-feira Santa, o Dia de Portugal nem o da cidade, nem sequer com o Dia da Restauração ou o da Imaculada Conceição, que também já ninguém sabe muito bem o que celebram, mas que se apoiam........

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