Venezuela, BRICS e a guerra silenciosa pelo dólar |
A intervenção dos Estados Unidos na Venezuela, com a remoção forçada da liderança política e a assunção provisória do poder, não deve ser lida como um episódio latino-americano isolado, nem como um mero “caso Maduro” ou uma operação “contra a droga”. Trata-se de um ato geopolítico sistémico, com implicações diretas na arquitetura monetária e energética global.
A Venezuela detém uma das maiores reservas de petróleo do mundo. Durante décadas, essas reservas estiveram integradas no circuito energético dominado por empresas americanas e, sobretudo, pelo dólar enquanto moeda de referência. A nacionalização do setor e a posterior degradação operacional não
foram apenas um problema técnico: representaram uma rutura política e simbólica com a ordem económica estabelecida.
Nos últimos anos, Caracas tornou-se também uma peça funcional na estratégia dos BRICS, não como bloco militar, mas como espaço de experimentação financeira. Vender energia fora do dólar, recorrer a moedas locais, estruturar trocas bilaterais e contornar regimes de sanções não ameaça o valor do dólar em si, mas o seu estatuto de árbitro único do sistema internacional.
É aqui que a leitura simplista falha, e onde a Rússia entra verdadeiramente no........