Elevadores da Glória: problema técnico ou gestionário? |
“Mudar para compreender”
(Kurt Lewin).
“O material tem sempre razão”.
(Uma máxima bem conhecida).
Passado o período eleitoral em que qualquer reflexão poderia equivaler à suspeita da tomada de partido, importa voltar a temas que fizeram sangrar a nossa coletividade ncional.
Jean Piaget, na lição inaugural da Sorbonne em 1967/68, desafiava os estudantes e os psicólogos a mostrarem a capacidade de mudar as organizações e o mundo (ou seja, o eminente Prof. retomava, assim, o pressuposto de Kurt Lewin de que só pela mudança se pode compreender a realidade). A centração na causalidade técnica de um acidente (a “narrativa” das falhas técnicas), por hipótese, poderia fazer esquecer a complexidade dos fenómenos organizacionais, os quais, por natureza, são sistémicos.
A via de raciocínio que, nos propomos seguir é a das mudanças acontecidas na empresa Carris selecionando, como parece evidente, os momentos que reputamos como significativos.
No princípio, …, a Companhia Carris de Ferro de Lisboa (Carris) era uma empresa “de cultura inglesa” (Lisbon Electric Tramways, Ltd), nomeadamente, assumia-se como uma organização de engenharia e de transportes urbanos (integrada hierarquicamente, nos termos de Williamson). Tratava-se de uma empresa em que os operadores/motoristas sonhavam com uma (hipotética) carreira técnica e profissional nas oficinas da empresa, passando um tempo como condutores. Era no âmbito dessa carreira (muito completa e evolutiva) que os motoristas se viam como elementos valorizados social e economicamente, para além de tecnicamente preparados para um futuro interessante na empresa, ou seja, profissionais VRIO (Valiosos, Raros, Insubstituíveis e Organizados), nos termos de J. Barney.
Pelo Decreto-Lei n.º 688/73 de 21 de dezembro, o governo Marcelo Caetano........