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Os exames de 2026 ensinaram-nos mais

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01.10.2026

Durante semanas, a conversa pública procurou responsáveis: os agrafos, os professores que não quiseram classificar, as escolas que se atrasaram, os diretores que falharam. Há agora dois documentos que permitem olhar para o que aconteceu com mais rigor: o relatório do Júri Nacional de Exames (JNE/EduQA) e o relatório de apoio técnico da Deloitte. Lidos lado a lado, nenhum deles aponta esses fatores como causa central. Descrevem outra coisa, menos mediática e mais útil. Um sistema novo, posto à prova à escala nacional sem os controlos de que precisava.

Convém começar pelo que bate certo. Os números de inscrições, presenças e provas realizadas coincidem, exame a exame, nos dois documentos (478 705 inscrições e 410 894 presenças nas três fases). A divergência não está na contagem, está na narrativa. E convém dizer, desde já, o que os relatórios não fazem: nenhum deles examina a hipótese de boicote por parte de classificadores, nem para a confirmar nem para a desmentir. O que se segue é, por isso, uma leitura do que os documentos descrevem, e não um veredicto sobre o que não descrevem.

O relatório do JNE fala em dificuldades “inesperadas” na leitura dos QR codes. É verdade que o piloto de 2025 não as detetou. Mas esse piloto incidiu num único exame, Filosofia, que teve pouco mais de 20 mil provas na 1.ª fase. Em 2026, a classificação digital passou a cerca de 290 mil provas, uma escala da ordem de catorze vezes superior (conta minha: as 303 563 provas da 1.ª fase, menos Desenho A e Geometria Descritiva A, que continuaram em papel, dão 290 368). Ao mesmo tempo, mudaram as folhas de resposta, a impressão passou para a INCM, os agrupamentos do JNE caíram de 34 para 16 e nasceram três centros de digitalização.

A Deloitte acrescenta o que o JNE não diz. Antes da sua chegada, tinha sido introduzido um mecanismo alternativo de leitura por OCR, com desempenho muito inferior ao dos QR codes, que gerou mais erros de identificação. O motor de cálculo das classificações ainda estava a ser configurado quando a classificação já decorria. A leitura automática das escolhas múltiplas (classificada como crítica) falhava perante rasuras e alterações de resposta. Houve provas........

© Observador