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Um discurso sobre a união do Estado /premium

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15.06.2019

Excepto por um almoço com vários comensais, há uma dúzia de anos, não conheço João Miguel Tavares (JMT). Sei quem é, e leio-o com frequência. Suponho que ele saiba quem sou. Para o caso, não importa. O caso é o discurso que JMT proferiu no Dez de Junho, a cuja comissão organizadora presidiu. Entre parêntesis, noto que, desde a origem, a data propicia sucessivos velórios institucionais que pretendem celebrar os “valores” da “pátria”. De acordo com as tutelas, os “valores” mudam. A “pátria”, cerimoniosa e balofa, é o que se arranja. Em 2019 não foi diferente.

Diferente foi o discurso, que por uma vez – que me recorde – suscitou resmas de comentários exaltados por esse país afora. E por uma vez – estou seguro – levou a que eu o ouvisse. A esquerda detestou o discurso e naturalmente concluiu que JMT é fascista. A “direita” dividiu-se nas apreciações e iniciou um fascinante debate sobre se JMT é um liberal sincero ou um socialista infiltrado. E eu achei o seguinte.

Em primeiro lugar, as coisas de que discordo de JMT. Discordo de JMT quando declara uma “honra” ser “o primeiro filho da democracia a presidir às comemorações do Dez de Junho”: no máximo, é um facto – até por aquilo que JMT acrescenta de seguida, não é uma “honra”. Discordo de JMT quando atribui a uma imaginária competência caseira o inegável desenvolvimento das últimas quatro décadas: em parte porque esse desenvolvimento já leva umas cinco décadas, em parte porque o dito apenas saiu da cepa torta, se saiu, a expensas do contribuinte........

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