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Salve-se quem puder: um glossário da peste

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28.03.2020

Abril. Sempre. Após suspensão das comemorações do 10 de Junho, os nossos amados líderes querem festejar o 25 de Abril, que da última vez que vi era anterior no calendário. Provavelmente com razão, acreditam que o vírus não atinge relíquias revolucionárias com cravos na lapela. Isto é gente de categoria.

Ânimo. Nos primeiros dias de clausura, o povo foi pródigo em graçolas alusivas. Recentemente, noto que as graçolas tendem a desaparecer em prol de um de dois estados de espírito: o “vai correr tudo bem” e o “vamos morrer todos”. Ambos são enganadores. Vai correr tudo mal e, infelizmente, 99,97% de nós estaremos cá para desfrutar.

Bufos. Em Setúbal, a autarquia apela à denúncia dos selvagens que passeiam. Quanto tempo nos separa da evolução civilizacional de uma Espanha, onde se recebem velhos transviados à pedrada?

China. Descontados os factos de o vírus ter nascido nas pocilgas deles, de terem escondido enquanto possível a sua disseminação, de terem eliminado jornalistas e médicos que alertaram para o perigo e de venderem testes avariados, a China tem prestado ao mundo um auxílio inestimável contra este flagelo.

Cobardia. Incontáveis artistas apanham as pessoas acossadas em casa e atiram-lhes com concertos vagamente musicais através da internet. Chamam aos concertos gratuitos, mas os custos, em matéria de sofrimento, são imensos.

Costa. De mentira em mentira (o homem sofre de uma incapacidade talvez física de dizer a verdade – mal haja médicos disponíveis, devia ver isso), o primeiro-ministro conseguiu uma proeza: ser enxovalhado........

© Observador


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