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Os assassinos de Henry Nowak merecem o nosso rancor

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06.06.2026

Em Southampton, numa noite de Dezembro passado, Henry Nowak, 18 anos, cruzou-se com Vickrum Digwa, 23, que visivelmente se fazia acompanhar de um enorme punhal. No Reino Unido, e pelos vistos também por cá, os sikhs são livres de usar em público uma adaga “cerimonial”, liberdade essa que é vedada aos restantes cidadãos (o argumento é o do “costume religioso”, e eu temo que uma religião qualquer decida adoptar o uso cerimonial da bazuca). Nowak pôs-se a filmar Digwa e a brincar com ele a pretexto do acessório: “És um homem mau. Diz que és um homem mau…” Digwa confirmou o pressuposto e deu cinco facadas no rapaz. Quando a polícia chegou, Digwa disse ter sido vítima de insultos racistas, o que de imediato levou a polícia a algemar Nowak, que agonizava no chão. No meio da agonia, Nowak informou repetidamente os agentes de que fora esfaqueado. Um dos polícias gozou: “Não me parece, pá.” Nowak acrescentou com a voz a sumir: “Não consigo respirar…” Disse-o uma, duas, três, quatro, nove vezes, até perder a consciência. Só então lhe retiraram as algemas e prestaram os primeiros socorros. Pouco depois, um médico declarou-o morto. No julgamento, que decorreu há dias e condenou Digwa a prisão perpétua (e saída condicional em 21 anos), provou-se que as alegações de “racismo” eram falsas. O vídeo que registou tudo, agora divulgado, está disponível na internet e, na perspectiva de um indivíduo “normal”, roça o insuportável.

Infelizmente, a normalidade já esteve melhor de saúde e, na classe política e nos “media”, não falta quem, perante a violência das imagens gravadas, ignore o grotesco do caso e peça sobretudo que o caso não seja “politizado”. Tentar impedir a “politização” de episódios similares é hoje um........

© Observador