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Onde é que estamos no 11 de Setembro? /premium

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11.09.2021

A 11 de Setembro de 2001, eu estava prestes a cometer o maior erro de avaliação da minha vida. Após a queda das torres, com inocência injustificável num adulto, acreditei que os renitentes subitamente compreenderiam a situação israelita, perceberiam a dimensão da ameaça islâmica e constatariam que a nossa tradição colectiva, por discutível que seja o conceito, partilha um conjunto de fundamentos – ou “valores” – que nos distinguem drasticamente do caldo primitivo que produziu os autores dos crimes de Nova Iorque, Washington e Pensilvânia.

Aconteceu exactamente o contrário: em nome do profeta e sob ordens de um psicopata, 19 tarados assassinaram três mil infelizes e, de Londres a Gaza, multidões em peso desataram a exibir fascínio pelo profeta, a mitificar o psicopata e a promover certa compreensão face aos tarados. Em Portugal, que em toleimas nunca fica atrás, um comentador televisivo apressou-se a culpar Israel, uma colunista afirmou achar Bin Laden sensual e a primeira-dama da época apareceu numa revista com vestes muçulmanas. Sobretudo, e pelos quatro cantos da Terra, responsabilizar a América pelos ataques que a América sofreu tornou-se num desporto popular. Em vez de se rejeitar os selvagens escondidos nas cavernas afegãs, foram George W. Bush, Donald Rumsfeld e Condoleezza Rice que acabaram quase unanimemente erguidos a representações do Mal. Não sei se foi um dia que........

© Observador


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