O Mundial comanda o sonho |
Primeira parte: política
Vejo muita gente preocupada com a circunstância de o Mundial se realizar sobretudo nos EUA. Trata-se de um receio pertinente. É sabido que na América actual as autoridades fascistas começam por deter e deportar metade dos visitantes logo no aeroporto. Depois perseguem a outra metade pelas ruas, na maioria das vezes a tiro. E se por acaso no processo sobrar um turista incauto, os agentes do ICE são meninos para segui-lo até o restaurante, sentarem-se na mesa ao lado e passarem a refeição a comer com a boca aberta só para suscitar irritação. Não são as condições ideais para a realização da prova-rainha do desporto-rei. Principalmente numa altura em que a FIFA nos habituara a designar anfitriões com provas dadas de hospitalidade e decência democrática. Houve a África do Sul do sr. Zuma em 2010. Houve o Brasil da dona Dilma em 2014. Houve a Rússia do sr. Putin em 2018. E houve o Qatar dos senhores que mandam no Qatar em 2022. Descer destes regimes exemplares para a autocracia do sr. Trump é um risco escusado e um sinal de que, contra todas as expectativas, as altas instâncias do futebol afinal não são absolutamente impolutas. O que é uma surpresa e um desgosto.
Apesar da natural apreensão sobre as condições políticas, o fundamental é concentrarmo-nos durante 39 dias no que conta: os penteados dos jogadores. Parece impossível, mas na pré-história do futebol os futebolistas possuíam um aspecto similar ao dos restantes mortais. Depois vieram as guedelhas dos anos 1970, as permanentes dos anos 1980 e o estilo mopa/esfregão celebrizado por Figo nos anos 1990. E hoje os jogadores voltaram a ter um aspecto similar ao dos restantes........