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As minhas indignações não são menos que as deles /premium

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20.06.2020

Lamentavelmente, ainda não atingi a sofisticação necessária para combater o racismo, o sexismo, o capitalismo, o fascismo, o colonialismo, o cubismo e outras calamidades através da vandalização de estátuas, da destruição de propriedade alheia e do roubo de televisores em lojas da especialidade. Isso não significa que eu não seja sensível e não me ofenda. Pelo contrário, sinto muito e ofendo-me imenso. Sucede apenas que reajo a impulsos diferentes daqueles que movem os comunistas, perdão, os pacifistas que arrasam tudo o que lhes surge à frente. E que não sou pessoa para me manifestar em público, arriscando apanhar covid ou sarna. Assim, venho por este meio informar as autoridades competentes das coisas que me incomodam, as quais gostaria que fossem removidas sem demora e, nos casos aplicáveis, incineradas de seguida.

Estatuária

As estátuas “clássicas” e figurativas não me maçam. Nem me entusiasmam: nunca me aproximei de uma para descobrir a personagem representada. Poderia haver um busto de Idi Amin na minha rua e eu continuaria sem saber. Se calhar, até há. O que não há é direito de encher o país com rotundas e, depois, encher as rotundas com o esterco visual designado por “arte pública”. Às vezes, o esterco é despejado fora das rotundas, como aconteceu – agora sim – perto de minha casa com a “obra” de um tal Cabrita Reis. Consta que aquilo custou 300 mil euros. Venda-se ao ferro-velho e recupere-se 50 paus. É verdade que os hábitos recomendam a mera vandalização, mas vandalizar “arte pública” é, inevitavelmente,........

© Observador


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